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jung

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August 13, 2013 · 19:36

Os políticos que merecemos

“O Homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe” | Rousseau

Hoje disseram-me: as pessoas têm os políticos que merecem.

Após horas perdida em argumentos políticos, eleitorais, legais, estatísticos e outros, a resposta era sempre igual (e a minha depressão política aumentava!): temos os políticos que merecemos, porque não nos revoltamos, porque nos preocupamos mais com a nossa própria sobrevivência que com o bem-estar do colectivo, porque não lutamos por tempos melhores, porque nos acomodamos…

Contra factos, não há argumentos: merecem os políticos que têm quem não vota, quem vota sempre nos mesmos, quem não pensa, quem “deixa andar”, quem é acrítico.

Nascemos iguais, formalmente, perante a lei. Temos os mesmo direitos, os mesmo deveres. Quando é que nos perdemos? Quando entramos na sociedade, na escola, na política? Quando temos de nos desenvencilhar sozinhos? Quando é que o nosso instinto de sobrevivência ultrapassa a noção de bem e mal?

Os políticos não são todos iguais. Ser “político” não é uma doença. Não se apanha uma bactéria que nos/os torna más pessoas no momento da tomada de posse para o cargo. Mas não é destes (dos maus) que falamos hoje.

As pessoas não deixam de o ser por estarem envolvidas em política. Há quem chore com ela, ria com ela, acorde, durma e não durma a pensar nela. Há quem se levante todos os dias, com um peso aos ombros, porque quer fazer melhor, porque quer fazer mais, porque se bate por “nós” e não por ele/ela ou apenas pelos seus. Há quem viva para melhorar o nosso dia-a-dia, esquecendo o seu, a nossa vida, esquecendo a sua. Há quem faça o que pode, com o pouco que tem, todos os dias!

Não merecemos os políticos que temos, mesmo que sejamos “amorfos”, comodistas, incapazes de lutar pelos nossos direitos. Não merecemos os políticos que temos, mesmo que sejamos apartidários, apolíticos, parte da abstenção. Não merecemos os políticos que temos, mesmo que não sejamos politizados, mesmo que não votemos com base em programas eleitorais, em ideias, mas antes em cores ou caras. Não merecemos os políticos que temos, mesmo que desleixemos a nossa participação.

E, não os merecemos, por uma tão simples razão, longe dos factos que todos apresentam: ninguém merece ser espezinhado, calcado, discriminado, roubado da sua dignidade, esquecido, abandonado…

Como cidadãos esperamos uma liderança sem erros, perfeita. Esquecemos-nos que a política é feita por pessoas, como eu, como tu, como nós. Que o pessoal é político e que o político é pessoal. Que as pessoas erram, que julgam diferente de nós, que agem de modo que, às vezes, nos é incompreensível, na política, como na vida.

Não merecemos todos os políticos que temos, merecemos alguns deles. E, por esses, vale a pena mudar o mundo – disseram-me, um dia!

 

 

 

 

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