Monthly Archives: August 2011

Planos de Austeridade para Tótós

Após os planos de Austeridade na Europa repararemos em 7 consequências principais:

  • Existirá um prolongamento da crise, pois estaremos a comprimir a procura global;
  • Os mecanismos de protecção social estarão mais reduzidos (se não desaparecerem) provocando um agravamento da pobreza e da precariedade das vitimas da crise;
  • Os poderes das sociedades financeiras sairão reforçados em detrimento da sociedade e dos Estados graça às pressões (ler chantagem) que estes não se inibem de exercer enquanto credores;
  • O reembolso da divida pública tornar-se-à um elemento central do debate politico e da gestão governamental nos próximos 15 anos (pelo menos);
  • Verificar-se-à um reforço dos desequilíbrios e das forças centrifugas no seio da União Europeia devido ao aprofundar da competição económica entre países membros. Provavelmente reforçarão as forças politicas de extrema direita que se alimentam do empobrecimento de uma parte da população e dos reflexos de retirada e estigmatização de outra;
  • A capacidade dos Estados de responderem às suas obrigações sairá diminuida no que toca os direitos humanos fundamentais e sairá reforçada a tendência para utilisar a repressão como resposta ao protesto social;
  • Será igualmente reduzida a capacidade dos Estados de responder às suas obrigações internacionais nos domínios da ajuda ao desenvolvimento, do alívio às populações vítimas de catástrofes naturais e da contribuição para a luta contra as alterações climáticas.

Uma circunstância agravante:

A comissão Europeia e os executivos Estados membros que se submeteram ofereceram ao FMI a possibilidade de voltar à frente do cenário europeu enquanto credor directo dos Estados que pedem a sua ajuda (leia-se RESGATE). Isto é uma alteração importante face a anos anteriores.

A generalização dos planos de austeridade num contexto de crise prolongada coloca-nos a todas e a todos frente a uma responsabilidade importante: a de adoptar um conjunto de propostas para enfrentar os desafios que se aproximam, uma estratégia de convergência e de unidade de acção cuja finalidade é assegurar um fim para a crise.

In English: Austerity Measures for Dummies

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O culto ao Mercado

Praticamente todos os dirigentes políticos dedicam um verdadeiro culto ao mercado, aos mercados financeiros em particular. Falta ainda dizer que eles fabricam uma religião do mercado.

Cada dia, uma missa para honrar o Deus Mercado é dita em cada casa munida de uma televisão ou de uma conexão à internet, no momento em que nos damos conta da evolução das cotações da bolsa e das expectativas dos mercados financeiros.

O Deus Mercado envia sinais através de um jornalista económico ou do cronista financeiro. (Isto não é verdade apenas para a maioria dos países mais industrializados, antes é verdade para a maior parte do planeta.)

Por todo o lado, os governantes procederam a privatizações, criando a ilusão de que as populações podiam participar directamente nos rituais do mercado (através da compra de acções) e receber um benefício como retorno na medida em que conseguiram interpretar de modo correcto os sinais enviados pelo Deus Mercado. Na realidade, a pequena parte daqueles que, a partir de baixo, fizeram a aquisição de acções não têm qualquer peso sobre as tendências do mercado.

No futuro notaremos que este culto beneficiou desde o principio do apoio dos poderes públicos (que se ajoelharam voluntariamente a este Deus que os priva do seu poder) e dos poderes financeiros privados.

Para que este culto encontre um certo eco nas populações, era necessário que os grandes meios de comunicação pratiquem todos os dias uma homenagem e prece quotidiana.

Os Deuses desta religião são os mercados financeiros. Os templos que lhe são dedicados denominam-se bolsas. Somente os grandes sacerdotes e os seus acólitos são convidados a participar. Os crentes de baixo são convidados a comunicar com o Deus Mercado através do intermediário do pequeno ecrã de televisão ou do computador, do jornal diário, da rádio, ou da fila no banco.

Para amplificar, no espírito dos crentes, os poderes do Deus Mercado, os comentadores anunciam periodicamente que Este enviou sinais aos executivos estatais para demonstrar a Sua satisfação ou o Seu descontentamento.

Mas o Deus Mercado está descontente com o comportamento da Irlanda, de Portugal, da Grécia, de Espanha (…) e para satisfazer a Sua ira os governos destes países deverão também apresentar uma oferta de fortes medidas anti-sociais.

Para se assegurar da benevolência do Deus Mercado, os governos sacrificam os sistemas de segurança social sobre o altar da bolsa. Os governos privatizam também.

E nós, pequenos participantes de base, assistimos, quietos, sossegadinhos, com respeitinho e sem disputar, porque isso é que é um bom crente!

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