Callcenter – um operário em construção

Comecei a trabalhar, num callcenter, na linha da NOS em Setembro de 2014. Fui contratada pela EMPRECEDE, uma empresa fantasma com o único objectivo de servir de intermediário à Teleperformance no recrutamento de recursos humanos. Uma empresa com 7000€ de capital social e mais de 1000 trabalhadores – bem mais de 1000 trabalhadores.

Os dias de formação são pagos a 5€ – as 8horas que lá passas (0,62€/hora) e que são obrigatórias -, mas só os recebes se completares a formação e em conjunto com o teu primeiro ordenado. Para que fique assente: toda a gente passa aquela formação. O único requisito é que não penses muito! Eu recebi 25€ pelos meus 5 dias de formação.

Durante a formação ensinam-te qualquer coisita (mas pouca!) sobre o produto e técnicas de venda – argumentar, argumentar, argumentar até ao final, em qualquer circunstância, a qualquer momento e face a qualquer obstáculo. Estou num funeral, não tenho computador, não vivo em Portugal, entre outras, são facilmente argumentáveis com: só preciso de 5minutos do seu tempo, de certeza que os seus netos têm, mas não tem família cá?

Finalmente ensinam-te a falar horas sem nunca dar a tua opinião. Qualquer resistência deve ser respondida com um “Compreendo”, logo seguido de um argumento com enlace positivo, por exemplo:

– “Não tenho dinheiro nem para comer.”

– “Compreendo, mas ao menos tem televisão e pode esquecer-se dos problemas da vida” (e sim, eu ouvi colegas meus a utilizar este argumento).

Ao mesmo tempo pensas nos 2,81€ (2,91€ com o aumento do ordenado mínimo) e nas eventuais comissões (se conseguires fazer 4 vendas por dia) que te caem na conta ao final do mês e que te permitem chegar aos 650€/700€ se não faltares nenhum dia. Pensas no contrato que assinaste que te informa que as tuas férias não são pagas e que pode, nos primeiros meses e por uma questão de formação interna, ser-te exigido que trabalhes mais do que 40horas semanais e as extras não te serão pagas. Pensas que, a qualquer momento, podem deslocalizar o teu posto de trabalho ou simplesmente despedir-te – os contractos são semanais. Pensas! Mas não dizes a ninguém, porque pensar é proibido!

Depois começas a trabalhar. Trabalhar num callcenter é como entrar todos os dias para uma fábrica à boa maneira do fordismo, com chamadas a cair em sequências avassaladoras e o discurso que quase se embrulha quando terminas e recomeças sem respirar: “Posso ser útil em mais alguma coisa? Então, em nome da NOS, um bom dia. Muito boa tarde, o meu nome é Paula e estou a ligar-lhe da NOS”. Mas também há longas horas em que o sistema não funciona e tu não podes pegar no telemóvel, fazer uma pausa – por que as pausas estão quantificadas e só tens direito a 10 minutos por cada 1h30 de trabalho – ler um livro ou utilizar a internet. Trabalhar num callcenter é teres de pedir autorização para ir à casa de banho, para comer e até para te levantares e esticar as pernas. A tua função é esperar: que haja base de dados, que o sistema funcione, que te mandem fazer alguma coisa. E depois voltas a entrar na engrenagem: “Estou sim, muito boa tarde, o meu nome é Paula e estou a ligar-lhe da NOS”.

Trabalhar num callcenter é aprenderes a não te importares com os problemas do outro lado da linha. É venderes um serviço que sabes que o cliente não quer, não precisa e que funciona mal, utilizando argumentos que não são mentira, mas são falaciosos e amplificam pontos positivos, sabendo que os restantes não os compensam. É teres pessoas aos berros ao telefone porque foram contactadas mais de 50vezes num dia – e tu sabes que é verdade, porque até tu já falaste com aquela pessoa naquela hora – e mesmo assim responderes que “é na vez 51 que se adere!”. Sempre, sempre, com um sorriso na voz. Trabalhar num callcenter é ouvir que “não vendes porque não tens ambição”.

Trabalhar num callcenter é teres “reuniões de equipa” e motivacionais todas as semanas, mas o seu objectivo não é criar bom ambiente. Servem apenas para te informar quem está a cumprir os objectivos e de eventuais alterações das comissões. Servem para criar divisão.

Trabalhar num callcenter é teres um supervisor a ouvir as tuas chamadas e a falar contigo ao mesmo tempo que falas com o “Sr. Cliente” com dicas e argumentos ridículos de como impingir o produto, aos berros. E, no final, quando não vendes, ainda o ter a pedir-te explicações e a dizer que estás a “deixar mal a equipa”. Trabalhar num callcenter é olhar em volta todos os dias e sentir que se um dia gritassem que devias saltar da janela, terias um coro de pelo menos 10 máquinas que responderia: “Qual delas?”

Trabalhar num callcenter é seres colocada num cantinho da sala, longe, porque tens uma “atitude provocadora, desafiante e desrespeitadora da autoridade.” Trabalhar num callcenter é teres de explicar, constantemente, que és tão (ou mais!) pessoa, humana, de carne e osso que os teus supervisores. Trabalhar num callcenter é ouvir que “essa consciência que tens agora, vais perdê-la. Toda a gente a perde”.  Trabalhei num callcenter 2 meses. E eu não a perdi.

Pediram-me para escrever um texto sobre callcenters. Ao fim de semanas, consegui juntar estas palavras. Não é fácil escrever sobre o único trabalho que continua a recrutar e tentar explicar que por dinheiro não vale tudo. Não é fácil explicar que este foi o único trabalho em que, todos os dias me arrancavam a alma do corpo, sobretudo por que há quem o faça e não se importe e, por vezes, até goste.

Trabalhar num callcenter é saber que não é o operador que se deve abater, mas o supervisor. O operador há que politizar, há que trabalhar com ele, é um operário fabril. O supervisor é o capataz. Mobilizemo-nos!

*publicado também no Manifesto 74

(aqui:http://manifesto74.blogspot.pt/2015/02/callcenter-um-operario-em-construcao.html?spref=fb)

40 Comments

Filed under Uncategorized

O tempo das Syrizas

cereza2

Como esperado, o Syriza foi o grande vencedor das eleições gregas. Da sua vitória, dos mais alarmistas aos mais esperançosos, tudo se viu e se leu, passando pelo debate do não cumprimentos das quotas. (Mais do que ter ou não ter mulheres nas suas listas, o debate é o cumprimento ou não cumprimento das quotas. Esquece-se o óbvio: e quotas para outras minorias/ discriminações?)

Não é claro que o Syriza consiga implementar o programa que o fez ganhar estas eleições. Varoufakis já alterou e readaptou e reajustou aquilo que era o programa inicial várias vezes.

Mas mais importante que tudo isso, é a ruptura que representa. É o corte com a chantagem da dívida, é a defesa do Povo em oposição a elites económicas, financeiras e políticas que se degladiam para manter um estatuto, um status quo, enquanto a maioria de nós se mata para chegar ao final do mês para lá das contas da casa, da comida e de um ou outro “luxo” (tabaco, jantar fora uma vez, ir ao cinema…).

Para a Grécia, esta foi um importante passo na vitória sobre o bipartidarismo, o PASOK e a Nova Democracia, no poder há 40 anos – qualquer semelhança com este pedacinho de terra à beira mar plantado não é pura coincidência.

Depois, mostra o falhanço das políticas de austeridade implementadas pela TROIKA através do cartel eleitoralista auto-insuflado pelos votantes centristas que durante décadas foram alimentados por uma distribuição de “despojos políticos”. O bipartidarismo unido, em prol da implementação de medidas de austeridade, através cartelização da politica sofre o seu primeiro rebate na Grécia: programas iguais, medidas semelhantes, nenhuma alternativa – a base de apoio eleitoral encolhe.

Em Espanha, o Podemos está agora à frente nas sondagens. Diz-se um partido diferente, de cidadania, que ouve as pessoas e aplica o seu programa em prol das mesmas. Também o Podemos já alterou várias das suas medidas iniciais. Deixou de as representar assim? Deixou de se apresentar como uma alternativa? Não para os eleitores. Quem aponta isso como um partido com intuito meramente eleitoralista tem, como é óbvio, razão, mas a ilusão e a esperança numa alteração da política é, per se, argumento suficientemente válido para que não se fechem os olhos a uma onda de mudança à esquerda. (Concordemos ou não com os programas, as quotas, o quão sexys são os elementos do governo – de 1 a 10, entre Tsipras e Varoufakis? Blhec!)

O Syriza é o primeiro (de muitos? Vários?) a quebrar o cartel político. A Grécia pode ser um espaço especial, muito derivado ao colapso económico, mas é uma porta que se abre num mar de falta de alternativas. A notícia da morte da Troika pode ser exagerada, mas o longo caminho para o fim de um sistema eleitoral comatoso pode estar a ficar entreaberto. E esse é o meu tempo preferido, o das cerejas…

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Cenas de um aeroporto…

2015/01/img_0057.jpg

2015/01/img_0058.jpg

Leave a comment

Filed under Uncategorized

“Isto não é um conto de fadas!”

Quando eu era pequenina, a minha mãe contava-me imensos contos de fadas. Da Cinderela, à Bela Adormecida, a Branca de Neve e o Capuchinho Vermelho. A minha mãe também lhes alterava os finais, espicaçava um pouco a história, introduzia detalhes sórdidos. E eu delirava!

O que é que isto tinha de mal? Absolutamente nada!

Ora, o mesmo não se passa quando se reescreve a História – essa do “H” grande! – e se acha que a vida pode ser um enorme e maravilhoso conto de fadas, onde, de acordo com aquilo que nos dá mais jeito, podemos alterar a bel-prazer o final, o meio e acrescentar meia dúzia de detalhes sórdidos para espicaçar o interesse e captar a atenção do leitor.

O que é que isto tem de mal? Absolutamente tudo!

Ele há “comentadores e analistas políticos” que são como o grande olho de Sauron: eles vêem tudo, eles sabem tudo, mas na realidade eles vivem afastados e estão mortinhos para pôr a mão no anel (my precious!). Para isso, não olham a meios para atingir os seus fins, conseguindo até surpreender aqueles que outrora os conheceram durante a sua estória.

Começa mais ou menos assim:

…o Pai Natal foi com o coelhinho e o palhaço no comboio ao circo…

Depois aparecia o Lobo Mau, que queria comer os três porquinhos e bufava, bufava, bufava… Nessa estória, o Lobo Mau podia vestir várias peles e ia comprá-las ao melhor que há do discurso mainstream, nunca atacando o sistema e o “arco da governação”, mas antes aqueles que lhe estavam mais próximos e que lhe podiam oferecer resistência no debate e no acesso ao anel (my precious!).

Esse, como em qualquer discurso político que se preze, podia assumir, a cada momento e instante, novas formulações (ou seja: novos inimigos e novas definições do NÓS). Para efeitos de simplificação chamemos-lhes aqui BE, PCP, Ruptura/FER (MAS, se só chegaram agora ao maravilhoso mundo dos contos de fadas!), com efémeras, mas interessantes menções a grupos, colectivos, indivíduos, que integravam um ou nenhum dos acima mencionados – pela incapacidade de mencionar todas as personagens, chamemos-lhe apenas “todos os restantes”.

Esta estória, portanto, surge enredada numa teia confusa de discursos e cooptações. É mais ou menos como se vissem a “Vida de Brian”, mas o Brian é, no final, o pai do Luke Skywalker! A Judean People’s Front é mais ou menos a mesma coisa que o Popular Front of Judea. E eles são todos cidadãos, menos um: esse de que estamos a falar agora _____________ (preencher a bel-prazer, condimentar q.b., mexer e está pronto.)

O primeiro foi o Ruptura/FER: o único que escreveu uma estória (chamemos-lhe, para simplificação “moção C”) sobre a primeira das grandes lutas, em 2011.

Neste maravilhoso mundo dos contos de fadas, há muitas lutas marcadas, onde todos estes personagens se encontram e reencontram vezes sem conta. E, meses mais tarde, passando já para o meio da estória, o Lobo era o BE. No final da estória, no entanto, o Lobo voltou a ser o Ruptura/FER. Nesta altura, acampava-se no Rossio.

No mesmo ano, mas em outra luta, o Ruptura/FER que continuava a ser o Lobo Mau, “ganhou o pedaço” – chamemos-lhe para simplificação cooptou e secou tudo em volta – ao cavalgar por cima de um colectivo que tinha posto na rua o 15O.

Já na luta seguinte, houve uma alteração na direcção que o grande olho de Sauron, que tudo vê, que tudo sabe, escolheu. E, desta vez, analisamos “todos os restantes” (relembro, para simplificação, neste grupo está “toda a gente”- com colectivo, sem colectivo, com partido, sem partido…) que eventualmente se cruzaram com o grande olho de Sauron, que tudo vê, que tudo sabe. E, nesta história, saltando outra vez já para o fim, poupando-nos às análises intermédias do campeonato, o Lobo Mau era o PCP. “Que se Lixe” se o factor desestabilizador muda a cada etapa do percurso numa grande perseguição à cidadania, essa coisa que se exerce sem partidos, sem sindicatos e, se possível, para não chatearem muito, sem pessoas!

Quatro anos estão prestes a passar desde o início de todo este enredo. Encontramos alguns dos personagens desta história, a reunir e entre eles, o MAS (agora já não Ruptura/FER). Depois de um processo que se arrasta desde Maio/Junho e que começou com um grupo reduzido e diverso de pessoas, onde se discutiu a experiência do Podemos no Estado Espanhol, a primeira Assembleia Cidadã, ocupada pelo MAS. Recusei fazer parte da dinamizadora eleita. Acho que, qualquer movimento, a surgir, deve focar-se em acções concretas, específicas, que permitam uma batalha de cada vez e preparem as pessoas para lutar mais, melhor, mobilizando a base social. Não basta, para mim, mudar de pastor, mas antes, importa, que deixemos de ser rebanho.

Durante as últimas semanas tenho assistido a um processo de usurpação de símbolos, nomes, contactos e a um verdadeiro “golpe de estado” que o grande olho de Sauron, que tudo vê e tudo sabe, escreve e descreve consoante as utilidades do momento. E assim, se faz, a “verdadeira” mudança cidadã.

Com uma diferença: depois de todo este enredo, o grande olho de Sauron, é agora, também, um pequeno gollum, (uma espécie de Hyde e Hyde, sem Jekyll): um hobbit, como todos os outros, até encontrar o anel, se enamorar do seu poder, e deixar que ele o corrompesse. Um ser pequeno e sem grande influência, que só podia ser corrompido pela medida pequena.

Juntos podemos muito mais imaginar do que construir.

Moral da história:

  • a história deu razão ao registo de marca, ironicamente desta forma, mesmo que tenha suscitado críticas e nós próprios nos tenhamos interrogado se o devíamos ou não fazer.
  • Há sempre um discurso que se pode construir, consoante se pretende, para denominar o inimigo comum (ELES) e criar uma união (NÓS). Geralmente nesses casos, esgrimem-se argumentos ideológicos, face a aspectos concretos. Não se aponta simplesmente o dedo para dizer “eu conheço esses truques, eu sei o que estás(ão) a fazer, eu sei como funcionam as estruturas partidárias e os seus vícios”. Para depois, fazermos política de “modo diferente” formando um partido (coisa nunca antes vista!), com os golpes políticos mais baixos na sua génese. NÓS fomos avisados que ELE sabia. (fácil, fácil: “trigo limpo, farinha amparo”).
  • “Vamos ali ao canto, falamos e cria-se já um partido”, como se bastasse juntar pózinhos de pirlimpimpim à fervura e “Puff!”, fez-se o Juntos Podemos – nem no maravilhoso mundo dos contos de fadas, quanto mais na vida real.
  • Das várias “lutas” narradas, faz-se menção ao 12 de Março – Geração à Rasca (leia-se “primeira das grandes lutas”), Acampada do Rossio, o 15 de Outubro, as manifestações do Que se Lixe a Troika e, mais recentemente, ao Juntos Podemos.
  • Isto não é o da Joana. Mas tudo aponta para que será o do João – ou do Gil – não percam as cenas dos próximos capítulos. Infelizmente para ambos – o Gil e o João – que eles bem queriam.
  • De lembrar que durante o 12M, “todos os restantes”, o PCP, o BE e até o Ruptura/FER (MAS) em Coimbra,  contribuíram para aquela que foi “a primeira das grandes lutas”. Sem a mobilização de todos e o apoio que muitos deram durante a manifestação – em Lisboa e um pouco por todo o país – o 12 de Março não teria sido possível. Teria, possivelmente, sido um sobressalto cívico na mesma. Não teria sido a mesma coisa: há uma linha que separa o que quatro miúdos sozinhos podem fazer, de uma manifestação apoiada por todos os colectivos, activistas, movimentos cívicos (que colocam os seus meios à disposição) consegue. A esses, a maioria sem nos conhecer de lado nenhum, só posso deixar o meu muito obrigada, pela capacidade de confiar que tiveram e como o demonstraram, ao nosso lado e para connosco.

Nb – 1. qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência. 2. os nomes foram alterados para protecção do João Labrincha, que sendo real, é inspirado numa personagem fictícia. 

Também publicado no L’Obéissance est Morte, aqui: https://obeissancemorte.wordpress.com/2015/01/15/isto-nao-e-um-conto-de-fadas-por-paula-gil/c

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Preso Político vs Político Preso

Sou só eu que acho que é uma falta de respeito, para quem de facto foi Preso Político, o Sócrates intitular-se “o novo prisioneiro político do Pós 25 de Abril”?

E é de mim ou é, só, ridículo o Mário Soares estar ao lado dele no que toca a este argumento?

image

Fica a reflexão…

Leave a comment

Filed under Uncategorized

O Karma é fodido, n’é filho?

Foi há dois anos que a carga policial na greve de 14 de Novembro não contemplou novos nem velhos frente à AR. Aqui: Lisbon Calling: November 14th in Portugal

Quem diria que dois anos depois, pela mesma data, tu andavas pelas ruas da amargura, Macedo?

Miguel Macedo também está na mira da judiciária

Vistos gold. Macedo admitiu sair, Passos não deixou

Miguel Macedo já não é sócio da dona da Golden Vista

O Karma é fodido, n’é filho?

20141114-173315-63195991.jpg

Leave a comment

Filed under Uncategorized

De sorriso rasgado…

O Cavaco, Presidente de alguns e algumas neste pedaço de terra à beira-mar plantado, convidou os “portugueses” – se a Virginia Wolf te ouvisse… – a “olhar para as dificuldades com um sorriso”.

20141113-124341-45821393.jpg

Aqui: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=168305#.VGETaOfY-yk.facebook

Leave a comment

Filed under Uncategorized