Diário de Bordo: Cuba

Chegada a Cuba, La Habana. havana.airport

Um calor que se cola ao corpo e uma humidade constante contribui para um atordoar de sentimentos que giram entre os nervos de quem acaba de aterrar num destino muitas vezes sonhado, o cansaço de quem não dorme há mais horas do que aquilo que deveria, o torpor do corpo de uma viagem de 16horas (Lisboa-Madrid, Madrid-La Habana) com uma noite sem dormir pelo meio e a alegria e excitação da chegada a um país novo.

O ar da noite propõe uma languidez muito própria: um calor que se cola ao corpo e uma humidade constante tornam o ar da noite pesado, quase como se custasse respirar.

Saímos de mochila às costas e apanhamos um táxi. Não há, ou parece não haver, outra forma de chegar ao centro de La Habana. O Sr. Léon e a sua esposa já nos esperavam: um contacto de uma colega de trabalho do Tomás, cubana, que vive em Palma de Maiorca.

Pelo caminho passamos descampados, campos, palmeiras e, ao longe, vemos luzes e pequenas casas a aproximarem-se lentamente. O cheiro a gasolina é intoxicante dentro de um carro que, pelos “nossos Ocidentais lados” há muito que seria carro de colecção, de um vermelho intenso.

IMG_0798 Quando nos deixa na “casa particular” (arrendada através dos conhecimentos da mesma amiga) cobra-nos 25CUC e diz-nos que este é um “preço de amigo”, com desconto. O custo da viagem são na realidade 30CUC. De facto, o custo foi o cobrado, são 25CUC, sem qualquer desconto, coisa que ambos já sabíamos, mas agradecemos-lhe a “atenção”. Tenta ainda convencer-nos a ficar na “casa particular” que tem para arrendar, em vez daquela que tinhamos já apalavrado, ou a que mudemos para lá nos próximos dias se a casa para onde vamos não tiver condições.

IMG_0799

Em Cuba, o turista é sempre encarado como tendo melhores possibilidades (que, tendo em conta os ordenados, de facto tem), bastando aterrar no aeroporto para se assumir que somos ricos – o conceito de riqueza tem sempre bastantes variantes, consoante o local de origem, a chegada, o custo de vida e outras variantes. Na “Ilha Vermelha”, o sistema implementado de duas moedas, o CUC (Peso Convertível) e o CUP (Peso Cubano), facilita o processo de aproveitamento financeiro do viajante incauto que acaba de “ali pôr o seu pézinho”.

 

1CUC equivale a cerca de 1Euro e, ao turista, quase sempre lhe é apresentado este valor em recibo. O cubano utiliza o CUP, sendo cada 1CUP o equivalente a 24CUC e o suficiente para uma refeição, 24 cafés ou 22 ovos.fotografia 1fotografia 2

Este sistema de moeda – os Pesos Convertíveis e os Pesos Cubanos – separam dois mundos e são, per se, a face mais visível de duas sociedades, dois mundos paralelos que coexistem e, assim, se cruzam sem nunca deixar de marcar bem a diferença e sem que nunca nos esqueçamos, por mais cubanos que pareçamos, somos turistas em terras de revolucionários.

 

 

 

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