Política de Cartel ou “Eu quero um lugar de Deputado [vitalício] só para mim!”

Há muitos, muitos anos, era eu uma jovem estudante de Relações Internacionais, ensinaram-me um conceito engraçado que aqui vos tentarei explicar. Era o conceito de “política de cartel”.

 

De acordo com o mesmo, a política de cartel (ou um partido de cartel) verifica-se quando se utilizam os recursos de um dado estado de modo a manter o status-quo e a posição de supremacia numa democracia. O partido cartel, diz-se, surge em avançadas políticas democráticas, passando a trabalhar apenas para a gestão eficiente e eficaz da política, pautando-se pela manutenção do seu “lugar” no poder estabelecido. Segundo a definição, a política de cartel verifica-se quando os padrões de conluio ou cooperação (ou coligação, porque não!) entre partidos supera a competição e debate que compõem uma democracia, criando, acima de tudo a despolitização e a ideia de uma “imagem reflectora” entre o governo e a oposição.

De modo a tornar esta definição mais simples, é sempre importante apresentar um exemplo. E o melhor exemplo – e mais recente – de um partido de cartel, é o PS de Seguro com a apresentação de uma medida para a redução do número de deputados eleitos.

Ora vejamos:

As legislativas de 2011 traduziram-se nas seguintes distribuições:

– PSD – 36,5% dos votos – 47% dos deputados (108)

– PS – 28,06% dos votos – 32% dos deputados (74)

– CDS/PP – 11,7% dos votos – 10% deputados (24)

– CDU – 7,91% dos votos – 7% dos deputados (16)

– BE – 5,17% dos votos – 3% dos deputados (8).

Ora, ao verificar-se uma redução do número de deputados na AR, veríamos uma drástica perda de representatividade de posições e consequente perda democrática, sendo a maioria dos lugares entregues aos dois principais partidos: PS e PSD. Desta forma, perpetuar-se-ia, no panorama político nacional, não só uma política em tudo idêntica, sem debate e que se pautaria, en extremis, por um reinado dos dois partidos. Com o tempo, a aproximação dos mesmos e a consolidação do seu poder e status, a política e a democracia seriam uma amena cavaqueira entre amigos com mesa reservada sempre no mesmo café.

(Mas eu percebo… Nada seguro de representar qualquer espécie de alternativa democrática ao actual governo – que não representa! -, Seguro procura, acima de tudo, garantir o seu lugar ao sol e a posiçãozita mais ou menos confortável que (“Sabe lá Deus ou o PS”), com anos de carreirismo e personalidade moluscular, tem vindo a conseguir…).

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Filed under Delicioso demais, Here, Politics, Thoughts and outpourings

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