“Onde está o Wally?” ou “É a ideologia, estúpido!”

Por alturas do 25 de Abril deste ano lembro-me da polémica em torno do (des)conhecimento da história de Portugal que alguns dos nossos deputados demonstraram.

Quem foi o primeiro Primeiro-Ministro após o 25 de Abril? – era a pergunta do jornalista – e raros foram aqueles que souberam responder.

Lembro-me de no autocarro, de manhã, a caminho do trabalho e antes de ver sequer a reportagem, ouvir dois senhores a comentar:

“- Nem sequer a nossa história conhecem, como é que nos poderão governar?”

“- É uma vergonha, sim senhor. Onde é que já se viu? É o estado deste país!”

Depois de tão grande polémica que, apesar de tudo, nunca em tempo algum, pensou a falha que isso representa no curriculum escolar – posso afirmar (com vergonha!) que nunca estudei na escola nem o Antigo Regime, nem o 25 de Abril, nem a História de Portugal do último século, por “nos aproximarmos do fim do ano lectivo” – recaindo, única e exclusivamente, na culpa que “os políticos” têm e a falta de cultura geral dos jovens.

Nos últimos dias, tenho então aguardado impacientemente que alguém se pronunciasse sobre uma votação a decorrer no Económico (http://economico.sapo.pt) com a seguinte questão: Quem o melhor Primeiro-Ministro de Portugal?

Qual o melhor Primeiro-Ministro de Portugal?

Qual o melhor Primeiro-Ministro de Portugal?

As reacções repartem-se entre o “Não acredito que o Sócrates esteja a ganhar”, “Aqueles que criticaram o Sócrates e agora votam nele”, “São todos uns bandidos”, “Não se aproveita nenhum”, “Ainda há quem vote no Passos”, e outras mais inglórias!

Confesso que não me surpreende que o Sócrates esteja à frente desta votação. O Económico é essencialmente lido por um sector da população mais ou menos politizado, mais ou menos empresarial. O Sócrates é um Primeiro-Ministro recente o que leva a quem vota, votar naquele que conhece e se lembra melhor, e por oposição ao actual, ficaria surpreendida se o Passos conseguisse ficar à frente. Mais, o Económico é essencialmente lido por pequenas bolhas partidárias e sociedade civil independente, mas envolvida em questões sociais.

Mas o que me surpreende mesmo é o facto de ninguém ter ainda apontado que o Económico, entre os Primeiros-Ministros portugueses do pós-25 de Abril, não ter colocado o Vasco Gonçalves – Primeiro-Ministro de sucessivos governos provisórios (II a V) logo a seguir à Revolução. Ainda me ocorreu que fosse pelo curto período de tempo em que assumiu funções, mas estando presente Maria de Lurdes Pintassilgo, rapidamente substituí este argumento por outro com muito mais peso:

“É a ideologia, estúpido!”

nb – a acrescentar o Palma Carlos esquecido também por mim, mas relembrado pelo Ricardo Castelo Branco via facebook!

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Filed under Delicioso demais, Here, Politics

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