Eu, Paula Gil, me confesso…

Quando era bem pequenina, a minha mãe contava-me por vezes uma história a que chamava o Pedro e o Lobo.

Por entre várias peripécias (que a minha mãe sempre teve uma grande imaginação), contava história de um rapaz que gritava: – Lobo, Lobo!, fazendo a aldeia correr em seu auxílio para se aperceberem depois que nada se passava.

Ora, um dia o Lobo apareceu mesmo, a aldeia não acreditou, e ninguém apareceu, deixando o jovem e as suas ovelhas (ah! esqueci-me de dizer que o rapaz era pastor! Desculpa mãe!) com o Lobo.

Conto isto como introdução a um “mea culpa” que aqui faço.

Eu partilhei hoje o seguinte post no mural do meu facebook (https://www.facebook.com/silva.pgil/posts/134044393370639) – aqui gravado para a posteridade. Eu, baseada numa série de atitudes a que ontem assisti e que por A + B e numa conjugação de ideias, coloquei a sua foto no meu mural e acusei de fascistas.

Muito embora aquilo a que eu assisti me coloque de pé atrás (em relação a um pequeno grupo específico de estivadores e não à sua totalidade), não me cabe a mim acusar de ninguém de nada, sem que para isso tenha provas concretas. Havia infiltrados neste dia de greve? Havia sim, ficou gravado aqui, por exemplo: http://vimeo.com/32646765.Mas eu não tenho gravações que comprovem nada e portanto…

… há um princípio básico do nosso código penal, o Princípio da Presunção da Inocência: Ninguém é culpado até prova em contrário. E eu vilipendiei-o com base em atitudes. Por isso, e independentemente da razão que eu possa ter ou acreditar que tenho, sem provas não me cabe a mim, de todo, fazer este género de acusações não fundamentadas, sem que estas sejam comprováveis. É algo que não se pode dizer de ânimo leve pelas implicações que tem para o futuro e pelo peso passado que trazem!

Com este post quero apenas assumir este erro, a denúncia sem provas concretas, porque para mim é importante pelos argumentos que aqui expresso, mas também para que amanhã me olhe ao espelho, e feita esta reflexão que aqui partilho, e levantada a dúvida, não posso acusar homens presumivelmente inocentes. Mas também por que errar é humano, mas persistir no erro é simplesmente estúpido.

Não quero deixar de agradecer ao blog Spectrum que, talvez pela forma como escreve, por vezes me faz perceber que quem acusa sem conhecer, sem saber do que fala, com base numa ideia que ouve, ou que deriva de atitudes subentendidas e no assumir tácito que através destas conhece alguém, sabe quem é, de onde vem, o que faz ou para onde vou, me fez repensar toda a situação desde o início e  dar-lhes o benefício da dúvida. Está-se sempre a aprender!

E quero agradecer-te a ti, tu sabes quem, que ouviste os meus argumentos, me deixaste quase insultar-te, e te mantiveste firme e fiel sem me atacares, com a ternura do costume, embora o desânimo e a vontade que eu não fosse casmurra só desta vez.

E por fim, ao Saramago (sim, ao Nobel!) pela lucidez do seu ensaio que hoje me devolveu a minha própria lucidez, no meio do cansaço e da confusão.

Eu assim me confesso e peço desculpa por afirmações precipitadas.

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