O culto ao Mercado

Praticamente todos os dirigentes políticos dedicam um verdadeiro culto ao mercado, aos mercados financeiros em particular. Falta ainda dizer que eles fabricam uma religião do mercado.

Cada dia, uma missa para honrar o Deus Mercado é dita em cada casa munida de uma televisão ou de uma conexão à internet, no momento em que nos damos conta da evolução das cotações da bolsa e das expectativas dos mercados financeiros.

O Deus Mercado envia sinais através de um jornalista económico ou do cronista financeiro. (Isto não é verdade apenas para a maioria dos países mais industrializados, antes é verdade para a maior parte do planeta.)

Por todo o lado, os governantes procederam a privatizações, criando a ilusão de que as populações podiam participar directamente nos rituais do mercado (através da compra de acções) e receber um benefício como retorno na medida em que conseguiram interpretar de modo correcto os sinais enviados pelo Deus Mercado. Na realidade, a pequena parte daqueles que, a partir de baixo, fizeram a aquisição de acções não têm qualquer peso sobre as tendências do mercado.

No futuro notaremos que este culto beneficiou desde o principio do apoio dos poderes públicos (que se ajoelharam voluntariamente a este Deus que os priva do seu poder) e dos poderes financeiros privados.

Para que este culto encontre um certo eco nas populações, era necessário que os grandes meios de comunicação pratiquem todos os dias uma homenagem e prece quotidiana.

Os Deuses desta religião são os mercados financeiros. Os templos que lhe são dedicados denominam-se bolsas. Somente os grandes sacerdotes e os seus acólitos são convidados a participar. Os crentes de baixo são convidados a comunicar com o Deus Mercado através do intermediário do pequeno ecrã de televisão ou do computador, do jornal diário, da rádio, ou da fila no banco.

Para amplificar, no espírito dos crentes, os poderes do Deus Mercado, os comentadores anunciam periodicamente que Este enviou sinais aos executivos estatais para demonstrar a Sua satisfação ou o Seu descontentamento.

Mas o Deus Mercado está descontente com o comportamento da Irlanda, de Portugal, da Grécia, de Espanha (…) e para satisfazer a Sua ira os governos destes países deverão também apresentar uma oferta de fortes medidas anti-sociais.

Para se assegurar da benevolência do Deus Mercado, os governos sacrificam os sistemas de segurança social sobre o altar da bolsa. Os governos privatizam também.

E nós, pequenos participantes de base, assistimos, quietos, sossegadinhos, com respeitinho e sem disputar, porque isso é que é um bom crente!

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Filed under everywhere!, Pensamentos Económicos

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